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Margem e custos

Preço de custo: o que entra além do valor da nota e por que ele muda o seu preço de venda

Preço de custo é tudo o que você paga até o produto chegar ao seu estoque pronto para vender, e não só o valor do produto na nota. A regra do Imposto de Renda, no art. 301 do Decreto 9.580/2018, manda somar transporte e seguro até o seu estabelecimento e os tributos devidos na compra ou na importação; só fica de fora o imposto que você recupera como crédito. Na prática, um produto de R$ 20 na nota pode custar R$ 24,40. Num anúncio de R$ 59,90 no Mercado Livre, essa diferença leva a margem de 34% para 27%.

Eu considero o custo errado o erro de precificação mais caro, porque ele não aparece em lugar nenhum. A comissão está no extrato, o frete está no extrato. O custo é você que informa, e se informar baixo, todas as contas seguintes saem bonitas e erradas.

#O que entra no preço de custo além do valor da nota?

Entram todos os gastos para trazer o produto até o seu estoque. A lista que cobre quase todo vendedor de marketplace:

  • Frete da compra. Se o fornecedor entrega com o frete incluso no preço (o chamado frete CIF), ele já está na nota. Se você paga a transportadora à parte (frete FOB), some o valor e divida pelas unidades.
  • Seguro da carga, quando você contrata.
  • IPI, o imposto sobre produtos industrializados, quando a compra é de fabricante ou importador.
  • ICMS-ST, o ICMS da substituição tributária. Nos produtos sujeitos a ela, o fornecedor cobra na nota o ICMS das etapas seguintes da cadeia, calculado sobre um preço presumido.
  • A guia de ICMS na compra de outro estado. Quem está no Simples paga, fora do DAS, a antecipação ou o diferencial de alíquota (a diferença entre o ICMS do seu estado e o da operação interestadual) ao comprar mercadoria de outro estado para revender. Essa guia chega depois da nota e é a que mais gente esquece.
  • Tributos e despesas de importação, se você importa: Imposto de Importação, IPI, PIS e Cofins-Importação, ICMS e os gastos com desembaraço aduaneiro, que o próprio art. 301 inclui no custo.
  • Preparação para venda, como etiqueta de código de barras, montagem de kit ou troca de embalagem do fornecedor.

E o que reduz o custo: desconto comercial e bonificação do fornecedor. Se você ganhou 10 unidades a cada 100 compradas, o custo de cada uma é o total pago dividido por 110.

Um detalhe que engana muita gente na leitura da nota fiscal eletrônica: o valor unitário da linha do produto não inclui o IPI nem o ICMS-ST. Esses impostos aparecem nos campos próprios e são somados no total da nota. Quem copia o valor da linha para a planilha já começa com o custo baixo.

#Quanto essa diferença muda o custo de uma unidade?

Bastante. Um exemplo com números redondos, numa compra de 100 unidades:

Item Total da compra Por unidade
Valor dos produtos (100 × R$ 20) R$ 2.000,00 R$ 20,00
IPI destacado na nota R$ 100,00 R$ 1,00
ICMS-ST cobrado pelo fornecedor R$ 180,00 R$ 1,80
Frete da compra, pago por você R$ 120,00 R$ 1,20
Etiqueta e preparação R$ 40,00 R$ 0,40
Preço de custo R$ 2.440,00 R$ 24,40

O custo real ficou 22% acima do valor da linha da nota. Os percentuais de IPI e de ST mudam por produto e por estado, então trate o exemplo como exemplo: a sua nota diz os seus números.

Agora veja o efeito no anúncio. O produto é vendido a R$ 59,90, tem 300 gramas, comissão de 12% no Clássico do Mercado Livre e imposto de 6%. Pela tabela de envio vigente em outubro de 2026, paga R$ 8,15 de envio. Na Shopee, paga 20% de comissão e R$ 4,50 por item, regra desde 01/10/2026. Com R$ 0,60 de embalagem:

Canal Lucro com custo de R$ 20 Lucro com custo de R$ 24,40
Mercado Livre R$ 20,37 (34,0%) R$ 15,97 (26,7%)
Shopee R$ 19,23 (32,1%) R$ 14,83 (24,8%)

São R$ 4,40 a menos em cada venda, nos dois canais. Em 500 vendas por mês, R$ 2.200 que a planilha dizia que existiam e não existem.

#Quais impostos da compra entram no custo?

Depende do regime tributário, e é aqui que vale chamar o contador. A regra geral está no § 3º do art. 301: imposto que você recupera como crédito na escrita fiscal não entra no custo. Imposto que você não recupera, entra.

  • Simples Nacional: a Lei Complementar 123, art. 23, diz que a empresa do Simples não tem direito a crédito dos impostos abrangidos pelo regime. Na prática, o ICMS e o IPI destacados na nota de compra entram no custo, assim como o ICMS-ST e a guia da compra interestadual.
  • Lucro Presumido ou Lucro Real: a empresa pode ter crédito de ICMS e, em alguns casos, de IPI e de PIS e Cofins. O imposto creditado sai do custo, porque volta para você em forma de abatimento.
  • MEI: não aproveita crédito, e o imposto da compra fica no custo.

Uma consequência que pesa na margem: na substituição tributária, o ICMS da cadeia já foi pago na compra. A receita com ST é destacada no PGDAS-D, a declaração mensal do Simples, para você não pagar o ICMS de novo no DAS. Se o seu contador não separa essas vendas, você paga duas vezes. Mostrei como o imposto da venda entra na margem em imposto do Simples Nacional na margem.

#O que não entra no preço de custo?

Não entram os custos da venda, porque eles só existem quando o pedido acontece:

  • Comissão e taxa fixa do marketplace.
  • Custo de envio ao comprador.
  • Embalagem de envio, fita e etiqueta de postagem. O custo dela por pedido está em custo de embalagem por pedido.
  • Anúncio pago.
  • Imposto sobre a venda.

Esses custos entram na margem de contribuição de cada pedido. Também costuma ficar fora o juro de compra parcelada com o fornecedor, que em geral é tratado como despesa financeira; confirme com o contador. Separar custo do produto e custo da venda é o que permite ver quanto vai para o fornecedor e quanto vai para o canal. O modelo completo está em CMV: o que é e como calcular.

#Na prática: o preço calculado com o custo errado

Na prática. Imagine uma loja que quer 25% de margem no Mercado Livre e calcula o preço com o custo da linha da nota, R$ 20. A conta devolve R$ 50,44. Ela publica. Com o custo real de R$ 24,40, cada venda a R$ 50,44 deixa R$ 8,21, ou 16,3% de margem, e não os 25% planejados. O preço certo para 25% com o custo real seria R$ 58,16. A diferença de R$ 7,72 no preço sai inteira do lucro, venda após venda, sem aparecer em nenhum extrato.

Se você já faz o preço pela margem, como ensinei em fórmula do preço de venda, o custo é o único número da fórmula que depende só de você. Vale conferir com a calculadora, trocando o custo da nota pelo custo real.

#Como calcular o preço de custo real, passo a passo

  1. Pegue o total da nota, não o valor da linha do produto. Separe IPI e ICMS-ST, se vierem destacados.
  2. Some o frete e o seguro pagos à parte, com o comprovante da transportadora.
  3. Some a guia de ICMS da entrada, se a compra veio de outro estado. Peça ao contador o valor de cada nota; ela pode chegar semanas depois.
  4. Some a preparação: etiqueta, montagem de kit, embalagem trocada.
  5. Desconte o imposto que você recupera como crédito, se o seu regime permitir. No Simples, em regra, não há o que descontar.
  6. Divida pelo número de unidades, incluindo as bonificadas.
  7. Atualize pelo custo médio a cada compra nova. Se o preço do fornecedor subiu, o custo do estoque é a média ponderada, não o da última nota. Mostrei o efeito disso em o erro de custo que infla a margem.

#Onde a Milewa entra no preço de custo

O preço de custo é o único número da margem que o marketplace não informa. Comissão, envio e taxa fixa a Milewa lê direto do Mercado Livre e da Shopee. O custo vem de você, e por isso ela trabalha com o custo médio e o histórico de compras de cada produto, para a margem não ficar presa ao preço de uma nota antiga.

Com o custo certo, ela calcula a margem real de cada pedido e de cada SKU, com comissão da categoria, custo de envio, imposto do seu regime, embalagem e anúncio pago. Para cada anúncio, mostra o preço ideal e o preço mínimo para a margem que você escolher e avisa quando o preço ficou abaixo do piso. Nos planos Pro e Scale, você também sobe o catálogo do fornecedor em PDF e recebe a sugestão de preço de venda para a sua margem no Mercado Livre e na Shopee.

#Perguntas frequentes

O que entra no preço de custo de um produto para revenda?

Entram o valor pago ao fornecedor, o frete e o seguro até o seu estoque e os tributos devidos na compra ou na importação, como IPI, ICMS-ST e a guia de ICMS na compra de outro estado. É a regra do art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 9.580/2018). Ficam de fora só os impostos que você recupera como crédito na escrita fiscal.

Quem está no Simples Nacional pode tirar o ICMS da nota de compra do custo?

Em regra, não. A Lei Complementar 123, art. 23, diz que a empresa do Simples não tem direito a crédito dos impostos abrangidos pelo regime. Sem crédito, o imposto destacado na nota de compra não é recuperável e entra no custo do produto. Quem está no Lucro Presumido ou no Real pode ter crédito de ICMS; nesse caso, confirme com o contador o que sai do custo.

O frete da compra entra no preço de custo?

Sim. O frete e o seguro até o seu estabelecimento fazem parte do custo de aquisição. Se o fornecedor já entrega com o frete incluso no preço, ele já está no valor da nota. Se você paga a transportadora à parte, some o valor do frete e divida pelo número de unidades da compra para ter o custo de cada uma.

Comissão do marketplace e frete de envio entram no preço de custo?

Não. Comissão, taxa fixa, custo de envio ao comprador, embalagem de envio, anúncio pago e imposto sobre a venda são custos da venda, não do produto. Eles entram na margem de contribuição de cada pedido. Misturar tudo no preço de custo impede de ver quanto vai para o fornecedor e quanto vai para o canal.

#Fontes

Taxa de marketplace muda. Os números deste artigo valem para a vigência citada — antes de decidir preço, confira a tabela do dia na sua conta.

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