Limite do MEI em 2026 para quem vende online: R$ 81 mil, a regra dos 20% e o que fazer antes de estourar
O limite do MEI em 2026 continua R$ 81 mil por ano, ou R$ 6.750 por mês no ano de abertura. Se você passar até 20% (até R$ 97.200 no ano cheio), o desenquadramento só vale em 1º de janeiro do ano seguinte, e a diferença de imposto é paga numa parcela única, sem acréscimos. Se passar mais de 20%, o desenquadramento volta a 1º de janeiro do ano do excesso. Para quem vende online, R$ 81 mil são cerca de 135 pedidos de R$ 50 por mês, um volume que uma loja que dá certo atinge rápido.
O projeto que sobe o teto para R$ 130 mil já passou no Senado, mas, até outubro de 2026, não tinha sido votado em plenário na Câmara. Planeje com o limite que está na lei.
#Os números do MEI em 2026
| Item | Valor |
|---|---|
| Limite anual | R$ 81.000 |
| Limite no ano de abertura | R$ 6.750 × meses de atividade |
| Tolerância de 20% | até R$ 97.200 no ano cheio |
| DAS comércio ou indústria | R$ 82,05 por mês |
| DAS serviços | R$ 86,05 por mês |
| DAS comércio e serviços | R$ 87,05 por mês |
O INSS do DAS é 5% do salário mínimo (R$ 1.621 em 2026); o ICMS soma R$ 1 para quem é contribuinte, e o ISS, R$ 5.
#O que conta para o limite
A receita bruta: o valor das vendas. Para quem vende em marketplace, isso significa o preço pago pelo comprador, não o que o Mercado Livre ou a Shopee repassam depois das taxas. Se você vendeu R$ 100 e recebeu R$ 73, contam os R$ 100.
Esse é o erro mais comum de quem acha que ainda está longe do limite: olha o extrato do marketplace, que mostra o valor líquido, e subestima o faturamento em 25% a 35%.
#Ano de abertura: o limite proporcional
No ano em que o MEI é aberto, o limite é de R$ 6.750 vezes o número de meses entre o início da atividade e o fim do ano, e a fração de mês conta como mês inteiro. Um MEI aberto em 20 de agosto tem 5 meses (agosto a dezembro) e limite de R$ 33.750 naquele ano.
Quem abre o MEI no segundo semestre e começa a vender bem em novembro e dezembro, com Black Friday e Natal, estoura esse limite com facilidade.
#Passou do limite: os dois cenários
Excesso de até 20%. O MEI continua até o fim do ano e é desenquadrado em 1º de janeiro seguinte. A diferença de imposto sobre o excesso é paga sem acréscimos, numa parcela única, junto com a apuração de janeiro.
Excesso acima de 20%. O desenquadramento retroage a 1º de janeiro do ano do excesso (no ano de abertura, ao início da atividade). A empresa passa a dever os tributos como microempresa desde então.
Nos dois casos, a comunicação do excesso é obrigatória até o último dia útil do mês seguinte ao do excesso. Sem ela, o desenquadramento é feito de ofício.
| Faturamento no ano cheio | O que acontece |
|---|---|
| até R$ 81.000 | continua MEI |
| R$ 81.000,01 a R$ 97.200 | desenquadra em janeiro do ano seguinte; paga a diferença sem acréscimos |
| acima de R$ 97.200 | desenquadra desde janeiro do ano do excesso |
#A conta: quando migrar para o Simples vale a pena
O DAS do MEI é fixo, então enquanto você está dentro do limite ele é imbatível: R$ 82,05 por mês representam 1,2% de um faturamento de R$ 6.750.
No Simples Nacional, Anexo I (comércio), a alíquota efetiva começa em 4% para quem fatura até R$ 180 mil em 12 meses. Para uma loja que fatura R$ 120 mil por ano:
| Regime | Imposto no ano |
|---|---|
| MEI (se coubesse) | R$ 984,60 |
| Simples Nacional, 1ª faixa (4%) | R$ 4.800 |
A diferença é grande, mas não há escolha: acima do limite, o MEI não é opção. O que dá para escolher é quando migrar. Migrar de forma planejada, em janeiro, é muito mais barato do que descobrir em dezembro que passou 30% e ter de recalcular o ano inteiro. A alíquota do Simples também sobe conforme a loja cresce; mostrei a curva em o imposto que sobe sozinho.
Na prática. Um casal que vende acessórios para pets abriu o MEI em março. Como era o ano de abertura, o limite deles não era R$ 81 mil, e sim R$ 67.500 (10 meses), com tolerância de 20% até R$ 81 mil. Eles olhavam o repasse do marketplace e achavam que estavam longe. Em outubro, somando o valor das vendas, o acumulado já passava de R$ 70 mil, e a projeção com a Black Friday dava cerca de R$ 105 mil, muito acima da tolerância. O desenquadramento retroativo era inevitável se continuassem vendendo. Com o contador, eles anteciparam a migração e recalcularam os preços com a alíquota do Simples antes da Black Friday, em vez de descobrir a diferença de imposto em janeiro.
#O que fazer quando o limite estiver perto
- Acompanhe o faturamento pelo valor das vendas, somando todos os marketplaces e canais.
- Projete o fim do ano considerando as datas fortes, não a média dos meses fracos.
- Converse com o contador quando passar de R$ 60 mil no ano, para decidir o momento da migração.
- Atualize a margem com o imposto novo. Ao sair do MEI, o imposto passa a ser um percentual de cada venda, e os preços calculados com o DAS fixo ficam velhos. A fórmula com imposto está em fórmula do preço de venda.
#Faturamento e margem no mesmo lugar
O faturamento do marketplace que aparece no extrato é líquido de taxas, e por isso engana na conta do limite. A Milewa soma o valor bruto das vendas de todas as suas lojas no Mercado Livre e na Shopee, mês a mês, e aplica a alíquota do seu regime em cada pedido. Quando chegar a hora de sair do MEI, você já vê o efeito do imposto novo na margem de cada produto.
#Perguntas frequentes
Qual o limite do MEI em 2026?
R$ 81.000 de receita bruta no ano, pela Lei Complementar 123/2006. No ano de abertura, o limite é proporcional: R$ 6.750 por mês, contando a fração de mês como mês inteiro. O projeto que sobe o teto para R$ 130 mil (PLP 108/2021) já passou no Senado, mas até outubro de 2026 não tinha sido votado em plenário na Câmara.
O que acontece se o MEI passar do limite?
Se passar até 20% (até R$ 97.200 no ano cheio), o desenquadramento vale a partir de 1º de janeiro do ano seguinte, e a diferença de imposto é paga numa parcela única, sem acréscimos, junto com a apuração de janeiro. Se passar mais de 20%, o desenquadramento retroage a 1º de janeiro do ano do excesso. A comunicação do excesso deve ser feita até o último dia útil do mês seguinte.
Quanto o MEI paga por mês em 2026?
Para comércio ou indústria, R$ 82,05 por mês: R$ 81,05 de INSS (5% do salário mínimo de R$ 1.621) mais R$ 1 de ICMS. Para serviços, R$ 86,05, e para comércio e serviços, R$ 87,05. O valor não muda com o faturamento, desde que ele fique dentro do limite.
#Fontes
- Lei Complementar 123/2006 (art. 18-A, limite e desenquadramento do MEI)
- Receita Federal — Valores do DAS-MEI em 2026
- Câmara dos Deputados — PLP 108/2021
Taxa de marketplace muda. Os números deste artigo valem para a vigência citada — antes de decidir preço, confira a tabela do dia na sua conta.
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