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Logística e estoque

SKU: como criar um código de produto que não vira bagunça quando a loja cresce

SKU (do inglês stock keeping unit, unidade de controle de estoque) é o código interno que você dá a cada produto e a cada variação. Um bom SKU tem 3 blocos fixos: família, modelo e variação, como CAM-BAS-AZ-M para a camiseta básica azul tamanho M. Ele não é o código de barras e não é registrado em lugar nenhum: é seu. O Mercado Livre deixa isso claro na página de códigos universais, que separa o SKU, interno, do GTIN, global.

Parece detalhe enquanto a loja tem 15 produtos. Com 300 variações em dois marketplaces, o SKU mal feito vira estoque errado, venda sem produto e margem que ninguém consegue calcular. Vou mostrar a estrutura que eu uso, as regras para não errar e os casos chatos: kit, produto de dois fornecedores e item que saiu de linha.

#Para que serve o SKU na prática?

O SKU é a "identidade" do produto dentro da sua operação. É por ele que tudo se encontra:

  • o estoque da prateleira com o estoque de cada anúncio;
  • o pedido do Mercado Livre e o da Shopee do mesmo produto;
  • o custo da nota do fornecedor com a venda;
  • a etiqueta da caixa com o item que o separador pega.

Sem SKU, o vendedor identifica o produto pelo título do anúncio. Só que o título muda, existem dois anúncios do mesmo produto (Clássico e Premium, por exemplo) e cada marketplace tem o seu. O SKU é o único nome que não muda.

#Qual a diferença entre SKU e código de barras?

São códigos com funções diferentes, e misturar os dois é um dos erros mais comuns no cadastro:

SKU Código de barras (GTIN/EAN)
Quem cria Você O fabricante, via GS1
Formato Livre (letras, números, hífen) Numérico, de 8 a 14 dígitos
Vale onde Só na sua operação No mundo todo
Muda de loja para loja Sim, cada lojista tem o seu Não, é o mesmo para todos que vendem o produto
Campo no Mercado Livre SKU do anúncio ou da variação Código universal

Regras do Mercado Livre conferidas em outubro de 2026. Na integração pela API, o SKU de cada variação vai no atributo SELLER_SKU.

Você precisa dos dois. O código de barras ajuda o marketplace a reconhecer o produto. O SKU ajuda você a controlar o que tem, o que vendeu e quanto ganhou.

#Como montar um SKU que não vira bagunça?

Use blocos fixos, sempre na mesma ordem, separados por hífen. A estrutura que funciona para a maioria das lojas:

FAMÍLIA - MODELO - VARIAÇÃO 1 - VARIAÇÃO 2

Produto Família Modelo Variação SKU
Camiseta básica azul, M CAM BAS AZ-M CAM-BAS-AZ-M
Camiseta básica preta, G CAM BAS PT-G CAM-BAS-PT-G
Garrafa térmica 500 ml, inox GAR TER500 INX GAR-TER500-INX
Capa para iPhone 13, transparente CAP IP13 TRA CAP-IP13-TRA
Kit com 3 camisetas básicas azuis, M KIT CAM-BAS-AZ-M 3 KIT-CAM-BAS-AZ-M-3

Repare que dá para ler o SKU sem abrir sistema nenhum. Quem separa pedido sabe o que pegar só de olhar a etiqueta. E, como os blocos têm sempre o mesmo tamanho e a mesma ordem, uma planilha ordena e filtra o catálogo sem esforço: tudo que começa com CAM é camiseta, tudo que tem AZ é azul.

  1. Liste as famílias de produto que você vende e dê a cada uma um código de 3 letras: CAM (camiseta), GAR (garrafa), CAP (capa). Escreva essa tabela num lugar só e não mude mais.
  2. Defina o modelo com 3 a 6 caracteres que façam sentido para você: BAS (básica), TER500 (térmica de 500 ml). Use o que diferencia o produto, não a marca do fornecedor, que pode mudar.
  3. Padronize as variações numa tabela de abreviações: AZ (azul), PT (preto), BR (branco), P, M, G, GG, 110V, 220V. A mesma cor tem sempre a mesma sigla em todo o catálogo.
  4. Junte os blocos com hífen, em maiúsculas, sem acento e sem espaço.
  5. Cadastre o SKU em cada variação do anúncio, no Mercado Livre e na Shopee, igual nos dois canais. É isso que permite somar as vendas do mesmo produto.
  6. Cole o SKU na prateleira e na caixa do estoque, para a separação usar o mesmo código do sistema.

#Quais regras evitam erro de SKU?

Seis regras que eu não abro mão:

  1. Um SKU por variação vendável. Se o cliente pode escolher, é um SKU. A camiseta azul M e a azul G são dois SKUs, como são dois códigos de barras.
  2. Nunca reaproveite um SKU. Produto saiu de linha? O código dele morre junto. Se você der o mesmo SKU a um produto novo, o histórico de vendas e custo dos dois se mistura.
  3. Nada de acento, espaço, barra ou cedilha. Muitos sistemas e planilhas quebram com esses caracteres. Letras sem acento, números e hífen bastam.
  4. Não comece com zero. A planilha apaga o zero da frente e "0123" vira "123", um SKU diferente.
  5. Nada de informação que muda. Preço, fornecedor e ano não entram no SKU. Se o fornecedor mudar e o produto for o mesmo, o SKU continua.
  6. Produto diferente, SKU diferente, mesmo que pareça igual. Duas garrafas iguais de fornecedores com custo e qualidade diferentes merecem SKUs diferentes, ou pelo menos um sufixo (GAR-TER500-INX-F2).

A regra 6 é a que mais faz diferença no lucro, e por isso merece um exemplo.

Na prática. Imagine uma loja que vende capas de celular por R$ 49,90 na Shopee e compra de dois fornecedores: um cobra R$ 18 por capa e o outro, R$ 31. As duas entram com o mesmo SKU, CAPA-01, e a planilha usa o custo médio de R$ 24,50. Com a comissão de 20%, a taxa fixa de R$ 4,50, imposto de 6% e R$ 0,60 de embalagem, a margem média parece saudável: 14,7%. Separando os SKUs, a verdade aparece: a capa de R$ 18 deixa 27,7% e a de R$ 31 deixa 1,7%, ou R$ 0,83 por venda. Um SKU só escondia um produto que trabalha quase de graça.

#Como criar SKU para kit?

O kit é um produto novo e precisa de SKU próprio, com a lista dos componentes registrada ao lado. Por exemplo:

  • KIT-CAM-BAS-AZ-M-3 = 3 × CAM-BAS-AZ-M
  • KIT-GAR-CAP = 1 × GAR-TER500-INX + 1 × CAP-IP13-TRA

Isso resolve duas coisas. Quando o kit vende, o estoque de cada componente baixa certo, e você não vende uma camiseta avulsa que já estava prometida a um kit. E o custo do kit passa a ser a soma do custo dos componentes, que é o número que importa para saber se o desconto do kit cabe na margem. A conta completa está em kit no Mercado Livre: margem.

Evite o atalho de anunciar o kit com o SKU de um dos componentes. Parece prático, mas o estoque fica errado e o custo também.

#O que fazer se o catálogo já está bagunçado?

Não precisa parar a loja. Faça a troca em etapas:

  1. Exporte os anúncios do Mercado Livre e da Shopee com as variações e o SKU atual (ou a falta dele).
  2. Monte a planilha de-para: coluna do SKU antigo (ou do título), coluna do SKU novo no padrão acima.
  3. Comece pelos produtos que mais vendem. Os poucos produtos que fazem a maior parte do faturamento são os que mais distorcem estoque e margem. A curva ABC mostra quais são.
  4. Atualize anúncio, prateleira e planilha de custo no mesmo dia para cada grupo de produtos.
  5. Guarde a planilha de-para. Ela é o que liga o histórico antigo ao código novo.

Com o SKU arrumado, o resto do controle fica possível: ponto de pedido, estoque de segurança, giro. Os números que valem a pena acompanhar estão em controle de estoque para loja online.

#Por que o SKU é a base para saber a margem de cada produto?

Porque a margem de verdade é por SKU, não por loja. A comissão muda com a categoria e o tipo de anúncio, o envio muda com o peso, o custo muda com o fornecedor. Só dá para juntar tudo isso no produto certo se o produto tiver um código que não muda. O mesmo vale para o custo: misturar compras de preços diferentes num SKU só distorce o custo médio, como mostrei em o erro do custo médio que infla a margem.

É aqui que um SKU bem feito começa a render. A Milewa junta os pedidos do Mercado Livre e da Shopee pelo SKU e mostra a margem real de cada um, com comissão da categoria, envio cobrado, taxa fixa da Shopee, imposto do seu regime, custo médio pelo histórico de compras, embalagem e ADS. O kit entra com o custo somado dos componentes. E a curva ABC e a margem de contribuição por canal e SKU mostram, em minutos, quais códigos pagam a loja e quais só ocupam prateleira.

#Perguntas frequentes

O que é SKU?

SKU é a sigla em inglês de unidade de controle de estoque. É um código interno que você cria para cada produto e cada variação, como a camiseta básica azul tamanho M. Ele não é registrado em lugar nenhum e não substitui o código de barras (GTIN ou EAN), que é o número global do produto, registrado na GS1.

Como montar um SKU?

Use três blocos fixos separados por hífen: família do produto, modelo e variação. Por exemplo, CAM-BAS-AZ-M para camiseta, modelo básico, azul, tamanho M. Use só letras maiúsculas sem acento, números e hífen, mantenha o mesmo tamanho de bloco em todo o catálogo e nunca reaproveite um código de produto que saiu de linha.

SKU e código de barras são a mesma coisa?

Não. O código de barras (GTIN ou EAN) é global, tem de 8 a 14 dígitos e é registrado pela GS1 em nome de quem fabrica. O SKU é seu, interno, e você escolhe o formato. O Mercado Livre deixa claro que o SKU não é o código universal que ele pede no anúncio, então não coloque um no lugar do outro.

Kit precisa de SKU próprio?

Precisa. O kit é um produto à parte, com preço, custo e margem próprios. Crie um SKU para o kit, por exemplo KIT-CAM-BAS-AZ-M-3 para três camisetas, e registre de quais SKUs ele é formado. Assim o estoque de cada componente baixa certo e o custo do kit é a soma dos componentes.

#Fontes

Taxa de marketplace muda. Os números deste artigo valem para a vigência citada — antes de decidir preço, confira a tabela do dia na sua conta.

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