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Produto e fornecedor

Produtos que é melhor não vender: os 6 tipos que dão multa, prejuízo ou dor de cabeça no marketplace

Há 6 tipos de produto que eu não colocaria no catálogo de quem está começando: réplica de marca, que é crime para quem vende (Lei 9.279/1996, art. 190); produto regulado sem certificado do Inmetro, da Anatel ou da Anvisa, com multa de até R$ 1,5 milhão no caso do Inmetro; item perigoso para transportar, como bateria de lítio avulsa; produto pesado e barato, em que o envio come a margem; produto de menos de R$ 20, que deixa centavos; e produto que volta demais. Nenhum deles é "impossível", mas todos cobram um preço que o anúncio não mostra.

A maior parte dos textos sobre o que vender fala do que vender. Este é o outro lado: a lista do que evitar, com a regra e a conta de cada um. As regras foram conferidas nas páginas oficiais em outubro de 2026. Não é parecer jurídico: em caso de dúvida sobre um produto específico, confira a norma vigente ou fale com um especialista.

#Por que réplica e produto "inspirado em" marca é o pior negócio?

Porque o risco é de conta, de estoque e penal ao mesmo tempo. A Lei de Propriedade Industrial pune no art. 190 quem vende, oferece, expõe à venda ou tem em estoque produto com marca alheia reproduzida ou imitada. A pena é detenção de 1 a 3 meses, ou multa. Não precisa ter fabricado: o revendedor responde.

O dono da marca também pode pedir indenização e, em reprodução flagrante, a apreensão de todo o estoque, das embalagens e das etiquetas (art. 209). E no Mercado Livre, infração de propriedade intelectual repetida leva à suspensão temporária ou à desativação da conta. O próprio ML orienta a não usar "igual a", "similar", "estilo" ou "tipo" no título e na ficha técnica.

O que é permitido é o acessório compatível: a lei deixa o fabricante de acessório usar a marca alheia para indicar destino, com lealdade. "Capa para iPhone 13" pode. Um tênis com o logo de uma marca famosa que não é da marca, não.

#Quais produtos exigem certificação antes de vender?

Os que mexem com segurança, saúde ou rádio. Três órgãos concentram quase tudo que aparece em marketplace:

Órgão O que exige Exemplos comuns
Inmetro Certificação compulsória e, em vários casos, registro e selo Brinquedos, secador, chapinha, air fryer, liquidificador, plugues e adaptadores, lâmpadas LED, capacete de moto, carrinho e cadeirinha infantil, panelas metálicas
Anatel Homologação de equipamento que emite radiofrequência Celular, tablet, notebook, modem, rastreador, babá eletrônica, mouse e microfone sem fio
Anvisa Regularização (notificação ou registro) antes de expor à venda Cosméticos, protetor solar, repelente, saneantes como desinfetante, suplementos alimentares

Listas do Inmetro (atualizada em 21/09/2026), da Anatel e da Anvisa, conferidas em outubro de 2026. A lista do Inmetro muda com portarias novas; confira o produto específico antes de comprar.

Três detalhes que pegam o revendedor:

  • Inmetro: a Lei 9.933/1999 obriga também quem comercializa a cumprir os regulamentos, com multa de R$ 100 a R$ 1,5 milhão, além de apreensão e inutilização. Dá para conferir o registro do produto na consulta pública do Inmetro, por marca, modelo ou CNPJ do fornecedor.
  • Anatel: desde a Resolução 780, de agosto de 2025, o marketplace responde junto com o vendedor. Vender produto não homologado, vender sem o selo e anunciar sem o código de homologação são infrações, e "comercializar" inclui anunciar e estocar. Tenha o código de homologação de cada produto antes de criar o anúncio.
  • Anvisa: nenhum produto da Lei 6.360/1976 pode ser exposto à venda antes de regularizado, e a Anvisa monitora anúncios na internet com varredura automática. E o cosmético fabricado desde novembro de 2023 precisa trazer a composição também em português, o que pega muito produto importado.

O teste prático é simples: peça ao fornecedor o número do certificado, do registro ou da notificação antes de fechar o pedido. Fornecedor que não tem esse número na ponta da língua é o primeiro aviso.

#Que produtos dão problema para enviar?

Os perigosos para o transporte. Pelos Correios, são proibidos em qualquer modalidade inflamáveis (gasolina, álcool, solventes, aerossóis inflamáveis), corrosivos e baterias automotivas. Item proibido é apreendido e pode ser destruído sem indenização.

A bateria de lítio merece atenção especial. Os Correios não aceitam bateria avulsa, defeituosa ou danificada, e o equipamento com bateria instalada tem limite de quantidade por remessa. Aerossol não inflamável, como desodorante, só vai por terra.

O Full do Mercado Livre é ainda mais restrito. Não aceita:

  • baterias e pilhas de lítio, aerossóis, inflamáveis, corrosivos e tóxicos;
  • medicamentos e itens que precisam de refrigeração;
  • produtos sem a certificação exigida (Anvisa, Anatel, Inmetro);
  • categorias inteiras, como colchões, pneus (exceto de moto e bicicleta), copos e taças.

Na prática, isso quer dizer que o produto fica fora do envio mais rápido do Mercado Livre. Se a sua estratégia depende do Full, um power bank genérico já nasce em desvantagem.

#Por que produto pesado e barato é armadilha?

Porque o custo de envio do Mercado Livre sobe com o peso, e quem paga é você. Veja o mesmo produto de R$ 89,90, com custo de R$ 40, no Clássico com comissão de 12%, imposto de 6% e R$ 0,60 de embalagem:

Peso do pacote Custo de envio no ML Sobra por venda Margem
300 g R$ 12,95 R$ 20,17 22,4%
8 kg R$ 29,45 R$ 3,67 4,1%

Tabela oficial de custos de envio do Mercado Livre para MercadoLíder, reputação verde ou sem reputação, vigente em outubro de 2026, calculada com a mesma tabela da calculadora da Milewa.

Com 8 kg, o envio passa a ser o maior custo da venda depois do produto. E o peso que vale é o maior entre o real e o peso cúbico da caixa: um produto leve, mas volumoso, cai na mesma armadilha. Como o ML calcula isso está em peso cúbico no Mercado Livre.

A Shopee não cobra pelo peso: o mesmo produto de R$ 89,90 deixaria R$ 15,32 lá, com a comissão de 14% e a taxa fixa de R$ 16 dessa faixa. Produto pesado pode fazer sentido num canal e não no outro.

#Por que produto barato demais quase não dá lucro?

Porque a taxa fixa por venda pesa muito sobre um preço pequeno. A Shopee cobra 20% mais R$ 4,50 por item até R$ 79,99, e o Mercado Livre cobra comissão mais o custo de envio, que abaixo de R$ 19 fica limitado à metade do preço.

Na prática. Imagine um produto de R$ 15 que custa R$ 5 no fornecedor, um markup de 3 que parece ótimo. Na Shopee, ficam R$ 3 de comissão e R$ 4,50 de taxa fixa: metade do preço. Com 6% de imposto e R$ 0,60 de embalagem, sobra R$ 1,00 por venda. No Mercado Livre, com 200 g, a comissão de 12% e o envio de R$ 5,65 também levam quase metade, e sobra R$ 1,05. Um único cupom, uma devolução ou um clique de anúncio apaga o lucro de várias vendas.

O produto barato até funciona, mas em kit (três unidades por R$ 39,90, por exemplo) ou como item de giro com custo muito baixo. A conta detalhada está em produtos baratos para revender e, para o Mercado Livre, em vender abaixo de R$ 19.

#E o produto que volta demais?

É o sexto tipo, e o mais difícil de ver antes de vender. Roupa e calçado sem tabela de medidas, eletrônico frágil, produto com expectativa difícil de acertar pela foto (cor de tinta, tom de base) e item com defeito frequente no lote. Em produto diferente do anúncio ou com defeito, o vendedor paga o frete da devolução no Mercado Livre, e na Shopee paga o envio e, se quiser o produto de volta, R$ 15 de taxa.

Não quer dizer que você não deva vender roupa. Quer dizer que roupa sem tabela de medidas e sem foto real do caimento vai devolver mais do que a margem aguenta. O impacto em números está em quanto as devoluções comem do lucro.

#Como checar um produto antes de comprar o lote?

Sete perguntas, nesta ordem. Se uma der "não", pare e resolva antes de comprar:

  1. A marca é do fornecedor ou ele tem autorização para vendê-la? Sem isso, é risco de réplica.
  2. O produto exige Inmetro, Anatel ou Anvisa? Se sim, peça o número do certificado, da homologação ou da notificação e confira na consulta pública.
  3. Ele pode ser enviado pelos Correios e entrar no Full? Lítio, aerossol, inflamável e líquido perigoso mudam a logística.
  4. Quanto pesa a caixa, com o peso cúbico? Faça a conta do envio no preço que você pretende cobrar.
  5. O preço de venda passa de R$ 20? Se não, só vale em kit ou com custo muito baixo.
  6. Qual a margem depois de comissão, envio, imposto, embalagem e anúncio pago? Teste na calculadora antes de pedir o lote.
  7. O produto tem motivo óbvio de devolução? Medida, cor, fragilidade, defeito frequente.

Os filtros que decidem o que vender, do outro lado da mesma moeda, estão em como escolher produto para vender.

#Como filtrar o catálogo inteiro do fornecedor?

A pergunta 6 é a que mais dá trabalho quando o fornecedor manda um PDF com 200 produtos. Fazer a conta de margem item por item, com a faixa de envio e a faixa de comissão certas, toma uma tarde.

Nos planos Pro e Scale, a Milewa faz essa triagem: você sobe o catálogo do fornecedor em PDF, a IA extrai os produtos e os preços e sugere o preço de venda para a margem que você escolher no Mercado Livre e na Shopee, já com comissão, envio e imposto. Os itens em que nenhum preço razoável fecha a conta aparecem de cara, antes de você gastar com estoque. As perguntas de regra (marca, certificação, transporte) continuam sendo suas; a da margem, ela responde em minutos.

#Perguntas frequentes

Quais produtos não posso vender no Mercado Livre e na Shopee?

Além da lista de proibidos de cada marketplace, não venda produto falsificado ou réplica de marca, que é crime pela Lei de Propriedade Industrial, nem produto regulado sem a certificação exigida: brinquedo e eletrodoméstico sem Inmetro, aparelho com Wi-Fi ou Bluetooth sem homologação da Anatel, cosmético ou suplemento sem regularização na Anvisa. Confira a política da plataforma antes de anunciar.

Revender réplica dá problema mesmo sem ter fabricado?

Dá. O art. 190 da Lei 9.279/1996 pune quem vende, expõe à venda ou tem em estoque produto com marca alheia reproduzida ou imitada, com detenção de 1 a 3 meses ou multa. No Mercado Livre, infração de propriedade intelectual repetida pode suspender ou desativar a conta. Não é preciso ter fabricado para responder.

Produto pesado vale a pena no Mercado Livre?

Depende do preço. O custo de envio do Mercado Livre sobe com o peso e com a faixa de preço. Num produto de R$ 89,90 com custo de R$ 40, o envio é R$ 12,95 com 300 g e R$ 29,45 com 8 kg, e a sobra cai de R$ 20,17 para R$ 3,67 por venda. Produto pesado precisa de preço alto ou de outro canal.

Qual o preço mínimo para um produto dar lucro no marketplace?

Não há um número único, mas abaixo de R$ 20 a conta fica muito apertada. Um produto de R$ 15 com custo de R$ 5 deixa cerca de R$ 1 por venda tanto na Shopee (comissão de 20% mais R$ 4,50) quanto no Mercado Livre (comissão mais custo de envio), com 6% de imposto. Produto muito barato funciona melhor em kit.

#Fontes

Taxa de marketplace muda. Os números deste artigo valem para a vigência citada — antes de decidir preço, confira a tabela do dia na sua conta.

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