PEPS, UEPS e custo médio: qual método usar no estoque e quanto cada um muda a sua margem
PEPS, UEPS e custo médio são três jeitos de decidir qual custo sai do estoque quando você vende. Com o mesmo estoque, eles dão números diferentes: num exemplo com um lote a R$ 20 e outro a R$ 26, o custo de cada unidade vendida fica em R$ 21 pelo PEPS, R$ 25 pelo UEPS e R$ 23 pelo custo médio. Num produto de R$ 49,90 no Mercado Livre, isso leva a margem de 22,4% para 14,4%. A norma contábil brasileira aceita o PEPS e o custo médio; o UEPS ficou de fora.
Parece assunto de contador, e em parte é. Mas o método de custo decide se o seu relatório mostra lucro ou ilusão, e isso é problema seu. Vou mostrar os três com a mesma conta e dizer qual eu uso para cada decisão.
#O que é PEPS, UEPS e custo médio?
São regras para atribuir custo às unidades que saem quando o preço de compra muda de um lote para outro.
- PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai): a venda leva o custo das compras mais antigas. O estoque que sobra fica com o custo das compras mais novas. Em inglês, FIFO.
- UEPS (último que entra, primeiro que sai): o contrário. A venda leva o custo da compra mais recente, e o estoque fica com o custo antigo. Em inglês, LIFO.
- Custo médio ponderado: todas as unidades passam a valer o mesmo, que é o total pago dividido pela quantidade. "Ponderado" quer dizer que o lote maior pesa mais na média.
Repare que nenhum deles fala da caixa física. Você pode vender a unidade que está na frente da prateleira e usar o custo médio na conta. O método é sobre o dinheiro, não sobre a ordem em que você separa os pedidos.
#Como calcular cada método, com o mesmo estoque?
Um exemplo com números redondos. Imagine um produto que você compra de um fornecedor nacional:
- Janeiro: 100 unidades a R$ 20,00 (R$ 2.000).
- Março: 100 unidades a R$ 26,00 (R$ 2.600), porque o fornecedor reajustou.
- Até abril você vende 120 unidades.
| Método | Custo das 120 vendidas (CMV) | Custo por unidade vendida | Estoque que sobra (80 un.) |
|---|---|---|---|
| PEPS | 100 × R$ 20 + 20 × R$ 26 = R$ 2.520 | R$ 21,00 | 80 × R$ 26 = R$ 2.080 |
| UEPS | 100 × R$ 26 + 20 × R$ 20 = R$ 3.000 | R$ 25,00 | 80 × R$ 20 = R$ 1.600 |
| Custo médio | 120 × R$ 23 = R$ 2.760 | R$ 23,00 | 80 × R$ 23 = R$ 1.840 |
O custo médio vem de R$ 4.600 pagos ÷ 200 unidades = R$ 23,00. Some as duas colunas de cada linha e você sempre chega aos mesmos R$ 4.600. O dinheiro que saiu do bolso é um só; o método só decide quanto dele vai para o mês das vendas e quanto fica parado no estoque.
O CMV (custo da mercadoria vendida) é a linha que mais pesa no seu resultado. Expliquei como ele se monta em CMV: o que é e como calcular.
#Quanto cada método muda a margem no Mercado Livre?
Muda bastante, porque o custo do produto é a maior despesa da venda. Pense nesse mesmo produto anunciado a R$ 49,90 no Mercado Livre, com 300 gramas, comissão de 12% no Clássico e imposto de 6% no Simples. Pela tabela de envio de outubro de 2026, ele paga R$ 8,15 de custo de envio.
| Linha | PEPS | Custo médio | UEPS | Reposição |
|---|---|---|---|---|
| Preço | R$ 49,90 | R$ 49,90 | R$ 49,90 | R$ 49,90 |
| Comissão (12%) | R$ 5,99 | R$ 5,99 | R$ 5,99 | R$ 5,99 |
| Custo de envio | R$ 8,15 | R$ 8,15 | R$ 8,15 | R$ 8,15 |
| Imposto (6%) | R$ 2,99 | R$ 2,99 | R$ 2,99 | R$ 2,99 |
| Embalagem | R$ 0,60 | R$ 0,60 | R$ 0,60 | R$ 0,60 |
| Custo do produto | R$ 21,00 | R$ 23,00 | R$ 25,00 | R$ 26,00 |
| Sobra | R$ 11,17 | R$ 9,17 | R$ 7,17 | R$ 6,17 |
| Margem | 22,4% | 18,4% | 14,4% | 12,4% |
A coluna "Reposição" é o custo de comprar o próximo lote hoje, R$ 26. Ela não é método contábil, mas é a pergunta que importa para o preço: se você vender tudo e precisar comprar de novo, quanto sobra?
Oito pontos de margem separam o PEPS do UEPS no mesmo produto, no mesmo mês. Num mês de 120 vendas, são R$ 480 de lucro que aparecem ou somem só pela regra de custo. Em período de alta de preço do fornecedor, o PEPS faz a loja parecer mais lucrativa do que é, porque vende com o custo velho.
Na prática. Imagine uma loja de utilidades que reajustou o preço de venda pela última vez quando comprava a R$ 20. A planilha dela usa o custo da primeira nota, R$ 20, e por isso ela topa uma promoção de 10%. A R$ 44,91, a planilha ainda mostra 20,9% de margem (o envio até cai para R$ 6,85 nessa faixa de preço). Pelo custo de reposição de R$ 26, sobram R$ 3,38 por unidade, 7,5% de margem. Pela conta da planilha, a promoção deu lucro; pela conta do próximo lote, quase não deu.
#Qual método a lei e a contabilidade aceitam?
O CPC 16, a norma contábil brasileira de estoques, manda medir o estoque pelo custo e diz que esse custo vem pelo PEPS ou pelo custo médio ponderado. O UEPS não está na lista. O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 9.580/2018, art. 307) fala em avaliar o estoque pelo custo médio ou pelo custo das compras mais recentes, que é a lógica do PEPS.
Na prática, para a contabilidade da empresa, o UEPS fica fora. Ele continua útil como exercício mental, porque mostra o pior caso da sua margem quando o fornecedor sobe preço. Mas não é ele que vai no balanço.
Duas observações que evitam erro:
- O custo de aquisição não é só o preço da nota. O CPC 16 inclui os impostos que você não recupera, o frete do fornecedor, o seguro e o manuseio, e desconta os descontos comerciais. Um lote de R$ 2.000 com R$ 150 de frete custa R$ 2.150.
- Quem está no Simples e não recupera ICMS coloca o imposto da compra dentro do custo. Se a sua empresa recupera crédito, a conta é outra. Aqui vale a regra de ouro: método de custo contábil se combina com o contador, uma vez, e não se troca todo mês.
#Custo médio fixo ou móvel: qual a diferença?
O custo médio pode ser calculado no fim do período (periódico) ou a cada lote que chega (móvel). O CPC 16 aceita os dois. O móvel é o que um sistema faz sozinho, e é o que deixa a margem de cada pedido mais perto da realidade.
Volte ao exemplo. Suponha que, das 120 unidades, 50 foram vendidas antes de o lote de março chegar:
- As 50 primeiras saem a R$ 20,00. Ficam 50 no estoque, valendo R$ 1.000.
- Chega o lote de março: R$ 1.000 + R$ 2.600 = R$ 3.600 para 150 unidades. O novo custo médio é R$ 24,00.
- As 70 vendas seguintes saem a R$ 24,00, ou R$ 1.680.
- CMV total: R$ 1.000 + R$ 1.680 = R$ 2.680, cerca de R$ 22,33 por unidade. O estoque de 80 unidades fica valendo R$ 1.920.
O médio periódico deu R$ 23,00 para todas; o móvel deu R$ 20 para as vendas de janeiro e fevereiro e R$ 24 para as de março em diante. O móvel é mais justo com o tempo: a venda de fevereiro realmente custou R$ 20, e a de abril já reflete o lote novo. Detalhei por que usar o custo da primeira compra infla a margem em o erro de custo que faz a margem parecer melhor.
#Qual método eu usaria em cada decisão?
Cada pergunta pede um custo diferente. A regra que eu sigo:
| Decisão | Custo que eu uso | Por quê |
|---|---|---|
| Resultado do mês (DRE) | Custo médio ponderado móvel | Aceito pela norma e acompanha os lotes |
| Preço de venda e promoção | O maior entre custo médio e reposição | Protege o próximo lote |
| Valor do estoque parado | Custo médio | Mostra quanto dinheiro está na prateleira |
| Negociar com fornecedor | Histórico de compras por lote | Mostra quanto o preço subiu e quando |
Eu não usaria o PEPS na planilha de preço em época de reajuste. Ele vende com o custo velho e só mostra o problema quando o lote antigo acaba, que é justamente quando o caixa precisa pagar o novo. E não usaria custo nenhum digitado uma vez e esquecido no cadastro: o erro mais comum não é escolher o método errado, é não atualizar o custo.
Se o estoque gira devagar, o problema cresce, porque o custo antigo fica meses no relatório. Vale olhar o seu giro de estoque junto com essa conta.
#Como fazer o custo médio funcionar sem planilha
O passo a passo manual é simples, só cansa:
- Registre cada compra com quantidade, valor da nota, frete e imposto não recuperável.
- Some o valor do lote ao valor do estoque que já existia.
- Divida pela quantidade total. Esse é o novo custo médio.
- Use esse custo em todas as vendas até a próxima compra.
- Compare o custo médio com o preço da última cotação. Se a reposição estiver mais de 10% acima, reveja o preço antes de o lote acabar.
Para testar o preço de um produto com o custo novo, a calculadora da Milewa faz a conta com a comissão, o envio por peso e o imposto, e devolve o preço para a margem que você quer. No exemplo, com custo de R$ 26 e meta de 15%, o preço sobe de R$ 49,90 para R$ 51,87.
Para o catálogo inteiro, a Milewa guarda o histórico das suas compras e calcula o custo médio de cada SKU. Cada pedido do Mercado Livre e da Shopee entra com o custo do estoque da época, mais comissão, envio, imposto, embalagem e ADS. Quando um lote mais caro chega, a margem dos pedidos seguintes já aparece com o custo novo, e os anúncios que caíram abaixo da sua meta sobem para o topo da lista. Para organizar a entrada e saída de mercadorias em si, veja controle de estoque para loja online.
#Perguntas frequentes
Qual a diferença entre PEPS, UEPS e custo médio?
São três formas de decidir qual custo sai do estoque quando você vende. No PEPS, o primeiro que entra é o primeiro que sai, e a venda leva o custo das compras mais antigas. No UEPS, o último que entra é o primeiro que sai, e a venda leva o custo das compras mais recentes. No custo médio ponderado, todas as unidades têm o mesmo custo: o total pago dividido pela quantidade.
O UEPS é permitido no Brasil?
A norma contábil brasileira de estoques, o CPC 16, lista só o PEPS e o custo médio ponderado como critérios de custo, e o regulamento do imposto de renda fala em custo médio ou no custo das compras mais recentes. O UEPS não aparece em nenhum dos dois. Para a contabilidade da empresa, trate o UEPS como fora de uso e confirme com o seu contador.
Qual método de custo usar para calcular a margem no marketplace?
Para o resultado do mês, use o custo médio ponderado, que suaviza as variações de preço do fornecedor e é aceito pela norma. Para decidir o preço de amanhã, olhe também o custo de reposição, que é quanto você paga hoje para comprar de novo. Se a reposição está acima do custo médio, o preço que parece bom hoje pode não pagar o próximo lote.
O custo do frete do fornecedor entra no custo do estoque?
Entra. Pelo CPC 16, o custo de aquisição inclui o preço de compra, os impostos que você não recupera, o transporte, o seguro e o manuseio, menos os descontos comerciais. Um lote de R$ 2.000 com R$ 150 de frete custa R$ 2.150, e é esse valor que deve ser dividido pelas unidades.
#Fontes
- Comitê de Pronunciamentos Contábeis — CPC 16 (R1): Estoques
- Planalto — Decreto 9.580/2018 (Regulamento do Imposto de Renda), arts. 305 a 307
Taxa de marketplace muda. Os números deste artigo valem para a vigência citada — antes de decidir preço, confira a tabela do dia na sua conta.
Margem calculada com o custo médio de verdade
A Milewa guarda o histórico das suas compras, calcula o custo médio de cada SKU e aplica esse custo em cada pedido do Mercado Livre e da Shopee, junto com comissão, envio, imposto e ADS. 14 dias grátis, sem cartão.
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